Análises / Artigos / Destaques / Final Fantasy XIV · 15 de agosto de 2026

Final Fantasy XIV no Nintendo Switch 2: Eorzea cabe na palma da mão? | Review

Depois de muitas declarações de interesse do produtor Naoki Yoshida e mais de uma década de espera, Final Fantasy XIV Online finalmente chegou para Nintendo Switch 2! A estreia marca a primeira vez que o MMORPG da Square Enix está disponível em uma plataforma Nintendo e, mais importante, leva toda a experiência de Eorzea para um formato portátil.

A versão para Nintendo Switch 2 foi anunciada com muita empolgação, será que ela cumpre o que promete?

A questão é: será que o Switch 2 consegue lidar com um dos MMORPGs mais complexos e extensos da atualidade? Para esta análise recebemos uma chave da Square Enix e também analisamos a recepção da comunidade de jogadores, buscando entender como esta versão se comporta ao lado das outras e a verdade é que a resposta é bastante positiva: O Switch 2 não entrega a versão tecnicamente mais poderosa de FFXIV, mas transforma a maneira como o jogo pode ser aproveitado.

Um port surpreendentemente competente

Muitas pessoas poderiam ficar com o pé atrás quanto a uma versão portátil de Final Fantasy XIV por ser um jogo gigantesco, acumulando mais de uma década de conteúdo, com dezenas de Jobs, grandes áreas abertas, centenas de personagens na tela e combates que podem apresentar uma quantidade enorme de efeitos simultâneos. Surpreendentemente porém, o Switch 2 consegue reproduzir essa experiência de maneira bastante competente!

Os testes realizados por nós e por diferentes veículos incluíram dungeons, trials, PvP, Alliance Raids, Field Operations, Hunts e até os conteúdos mais recentes de Dawntrail. Em geral, não foram identificadas limitações que impeçam a realização de algum tipo específico de conteúdo.

Testamos inclusive conteúdos da última expansão DAWNTRAIL como as Variant Dungeons

A experiência também se mostra bastante consistente em termos de conexão. Testes realizados exclusivamente através de Wi-Fi indicaram latência/ping semelhante à encontrada em outras plataformas. Para jogadores brasileiros, isso é especialmente relevante: eventuais atrasos percebidos durante os combates não são uma característica específica do Switch 2, mas estão dentro da experiência que muitos jogadores do país já conhecem devido à ausência de um data center sul-americano.

Jogadores brasileiros precisam se habituar de que algumas vezes temos que nos mover para fora das áreas de ataque com antecedência devido à latência para os servidores, não é um problema referente a performance do Switch 2

30 FPS é o preço da portabilidade

Como esperado, o principal compromisso técnico da versão está no framerate (taxa de quadros). O Switch 2 trabalha, em geral, com 30 FPS como principal alvo, enquanto outras plataformas podem oferecer taxas de quadros superiores. Em situações mais leves, especialmente no modo dock, o jogo pode ultrapassar essa marca, mas não se trata de uma versão construída para manter 60 FPS de maneira consistente.

Jogar em 30fps é uma concessão pequena para poder desfrutar de todos os conteúdos, mesmo os mais recentes

Na prática, entretanto, os testes indicam que os 30 FPS são relativamente estáveis e não comprometem a experiência da maioria dos conteúdos. Recomendamos inclusive, que jogadores mais sensíveis à flutuação de framerate deixem a opção de travar o jogo em 30fps habilitada para uma experiência mais consistente.

Visual: bonito no portátil, mas as limitações aparecem na TV

Visualmente, Final Fantasy XIV surpreende positivamente no Nintendo Switch 2. A Square Enix conseguiu preservar boa parte da qualidade visual do MMORPG, e o jogo continua bonito na plataforma, especialmente considerando a escala e a quantidade de elementos que precisam ser exibidos simultaneamente. A experiência, porém, muda de acordo com a forma como o console é utilizado.

Dentro das cidades o jogo fica sempre travado em 30fps e não apresenta problemas em exibir
uma grande quantidade de jogadores

No modo portátil, a tela menor acaba trabalhando a favor do jogo. Serrilhados, artefatos (shimmering) e algumas perdas de definição são muito menos perceptíveis, fazendo com que a imagem pareça mais limpa e equilibrada, chegando a ficar parecida com o que você vê em máquinas mais potentes como o PS5. É uma situação curiosa em que as próprias dimensões da tela ajudam a mascarar algumas das limitações técnicas do port.

Já no modo Dock, conectado a uma televisão ou monitor maior, essas concessões ficam mais evidentes. Em telas grandes — especialmente em resoluções 4K — alguns artefatos de imagem, podem ficar mais perceptíveis porque o jogo trava a resolução em 1080p. Quanto maior a tela, mais fácil perceber que o Switch 2 não está entregando a mesma qualidade de imagem de um PC de alto desempenho ou de um PS5 – porém seria uma comparação até injusta pela diferença de hardware.

Todos as screenshots desta matéria foram retirados no modo Portátil e o jogo continua bem bonito. Ao colocá-las em uma tela maior porém, se notará alguma diferença com outras plataformas mais potentes.

Ainda assim, a diferença para o PS5 não é necessariamente dramática. Como você vai poder ver no vídeo de análise que deixamos aqui no final da matéria, a versão de Switch 2 é bastante próxima visualmente aos outros consoles, ficando entre algo entre as versões PS4 e PS5.

E jogar um MMORPG no controle é bom?

As vezes você pode estar se perguntando: Será que é possível jogar um MMORPG no joystick? A resposta é simples: a Square Enix conseguiu adaptar muito bem a interface de Final Fantasy XIV ao controle. Para os jogadores recém chegados isto pode ser uma novidade mas a Square Enix vem aperfeiçoando a interface do jogo para funcionar em joysticks desde que o jogo chegou originalmente no Playstation 3 em 2013.

E vale lembrar que se você é um jogador acostumados ao sistema de barras e atalhos de FFXIV que já jogava em outras plataformas, pode transferir suas configurações para o Switch 2 com relativa facilidade. Para quem já joga no controle em outras plataformas, a transição é particularmente tranquila e contará com algumas novidades como touchscreen e o modo Mouse.

No Nintendo Switch 2, os Joy-Con 2 também podem ser utilizados como mouse, permitindo navegar pelos menus e interagir com a interface de maneira semelhante ao PC. Mas existe uma ressalva: o modo mouse funciona melhor para atividades tranquilas do que para combates. Organizar o inventário, fazer crafting ou navegar pelos menus são tarefas adequadas para o recurso. É perceptível um pequeno atraso no movimento desta função que esperamos que seja melhorado com o tempo.

Vale apenas um pequeno adendo que talvez seja uma questão para alguns jogadores: No modo portátil, a maior dificuldade encontrada foi, curiosamente, a ergonomia. Os Joy-Con 2 podem se tornar desconfortáveis durante sessões prolongadas, especialmente em combates que exigem muitas combinações simultâneas de botões.

Ergonomia não é exatamente o forte do Switch 2 mas existem acessórios baratinhos que vão melhorar a pegada do console e tornar sua experiência com o jogo mais agradável

Essa é uma questão bastante subjetiva. Jogadores acostumados ao portátil podem não encontrar qualquer problema, enquanto aqueles habituados a controles maiores de outras plataformas podem precisar de um grip ou acessórios mais ergonômicos para seções de jogatina maiores. Em atividades mais simples como crafting e gathering, entretanto, essa questão praticamente desaparece.

E a tela sensível ao toque?

Aqui está uma das melhores surpresas do port. A tela touchscreen do console pode ser utilizada para interagir diretamente com elementos da interface, ampliar o mapa e até selecionar habilidades – o que pode ser de grande ajuda em momentos de desespero.

Ela não substitui o controle durante os combates, mas funciona como uma excelente ferramenta complementar — principalmente quando há pouco espaço disponível para organizar todas as informações na tela no modo portátil. A função ainda é um pouco truncada para mexer em alguns menus da interface, mas acreditamos que possa ser melhorada com o tempo conforme o jogo for sendo atualizado.

Digitar diretamente na tela de toque é uma novidade em relação as outras versões de console que dependem do controle ou de um teclado externo para enviar as mensagens

Ela também torna a comunicação dentro do jogo muito mais eficiente: Se você joga no modo portátil, poderá abrir um teclado virtual na tela e digitar rapidamente as mensagens ao invés de ter que selecionar letra por letra pelo controle. Não é melhor do que conectar um teclado físico ao jogo, mas é uma baita vantagem para quem quer manter essa versão 100% portátil.

Jogar FFXIV no portátil exige uma nova HUD

Já que estamos falando da tela, acho que é um bom momento para citar que existe uma adaptação que praticamente todo jogador deverá fazer: a interface precisa ser reorganizada para o modo portátil.

Uma HUD que funciona perfeitamente em um monitor ou televisão pode ficar pequena demais na tela do Switch 2. Chat, barras de habilidades, informações dos inimigos e outros elementos podem se tornar difíceis de visualizar e também deixar tudo com aqueles aspecto “muito espremido e poluído”.

Em todo jogo de MMORPG é ideal perder um momento para dar uma organizada no seu HUD para evitar a poluição visual porém no modo portátil do Switch 2 isso é ainda mais fundamental

Felizmente, Final Fantasy XIV permite salvar diferentes configurações de HUD. A solução ideal é manter uma configuração para o modo dock e outra para o portátil. Depois de realizar esses ajustes, os testes mostraram que até mesmo conteúdos mais complexos podem ser jogados na tela pequena mantendo apenas as informações que você acha realmente necessárias para aquela atividade.

A grande vantagem: levar Eorzea para qualquer lugar

É aqui que o Switch 2 começa a justificar sua existência. Tecnicamente, jogar Final Fantasy XIV em um PC poderoso ou PS5 continua sendo uma experiência superior mas a versão para Switch 2 oferece algo que essas plataformas não conseguem oferecer da mesma maneira: a possibilidade de levar Eorzea para praticamente qualquer lugar.

Quer fazer algumas quests enquanto está viajando? Pode.

Precisa fazer uma Roleta na hora do almoço no trabalho? Pode.

Quer fazer crafting enquanto está longe da televisão deitado na cama? Pode.

Está visitando a família e quer continuar sua progressão? Basta ter conexão com a internet.

É justamente essa conveniência que se torna o maior trunfo da versão para Nintendo Switch 2: O Switch 2 não necessariamente torna Final Fantasy XIV melhor, ele torna o jogo mais acessível à rotina do jogador.

Pode levar Eorza para qualquer lugar é ter a possibilidade de encaixar o jogo na sua rotina diária

O maior problema está fora do jogo

Curiosamente, a principal crítica encontrada ao jogo não está relacionada ao desempenho, gráficos ou controles. Está na assinatura.

A versão de Nintendo Switch 2 possui uma assinatura própria. Quem já joga Final Fantasy XIV no PC ou demais plataformas e deseja utilizar o mesmo personagem no Switch 2 precisa manter também uma assinatura adicional da plataforma Nintendo. Esta é uma novidade desta versão porque antes todas as plataformas incluindo PC, Mac e Consoles compartilhavam a mesma assinatura, pagou em uma, poderia jogar em todas que você tenha comprado o jogo.

Jogadores que já possuem uma assinatura ativa em outra plataforma recebem 50% de desconto, mas ainda assim existe um custo adicional. E esse é um problema particularmente frustrante justamente porque o maior atrativo do Switch 2 seria poder alternar entre plataformas quando você deixa a sua casa e poder levar o jogo contigo.

A ideia de jogar uma raid no PC e depois pegar o Switch 2 para fazer crafting ou uma roleta enquanto está longe do computador é excelente. Ter que pagar uma segunda mensalidade para isso, nem tanto.

Porém, se você é um novo jogador que vai começar nesta versão, não precisará se preocupar com a assinatura por um bom tempo já que o recomendado é desfrutar bastante da versão Free Trial que é gratuita e permite experimentar uma boa porção do jogo: sua campanha principal A Realm Reborn e as três primeiras expansões Heavensward, Stormblood e Shadowbringers sem precisar tirar um tostão do bolso.

Veredito

Final Fantasy XIV no Nintendo Switch 2 é menos sobre entregar a melhor versão de Eorzea e mais sobre permitir que Eorzea esteja com você onde quer que você esteja.

Para quem já joga no PC e outros consoles e está satisfeito com essas plataformas, o Switch 2 é um complemento — e o custo da assinatura adicional pode pesar contra a compra. Para quem quer jogar Final Fantasy XIV de maneira portátil, porém, a história é diferente.

A Square Enix conseguiu fazer o improvável: transformar um dos MMORPGs mais complexos e gigantescos do mercado em uma experiência portátil completa, sem sacrificar aquilo que faz FFXIV ser FFXIV.

No fim das contas, o maior mérito do Switch 2 não está em tornar Eorzea mais bonita ou mais rápida. Está em torná-la mais próxima: disponível quando você quiser, onde você quiser.

Como um complemento, recomendo assistir a análise em vídeo feito pela @yukisaragi e também o artigo explicando tudo o que você precisa saber antes de começar na versão Switch 2.

Nos vemos em Eorzea!