Análises / Artigos · 17 de junho de 2026

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales | Review

Procurando por um jogo de aventura HD-2D, com artes e trilha sonora tão incrível quanto as presentes em OCTOPATH TRAVELER e BRAVELY DEFAULT, liberdade de exploração e versatilidade de gameplay e estratégias?

Então você precisa conhecer The Adventures of Elliot: the Millennium Tales.

Eu sei.. Eu sei… The Adventures of Elliot não é um FINAL FANTASY, mas seu cabelo branco com capa e chapéu vermelho, sempre me fazem ver um Red Mage. Ainda mais vindo da Square Enix!

Mas longe de um FINAL FANTASY e talvez mais perto de um Legend of Zelda ou Chrono Trigger, venho compartilhar um pouco de como foi minha experiencia com o jogo, que graças a Square Enix Latam que nos forneceu uma chave, eu pude testar de maneira antecipada.

 

Uma jornada através do tempo

A história acompanha Elliot, um aventureiro disposto a ajudar qualquer um que precise. Sua nova missão surge quando Hichard, rei de Huther, pede para que ele investigue ruínas encontradas recentemente nos arredores do reino.

Sua busca leva à descoberta do Portal do Tempo (Doorway of Time), que permite que você volte em eras passadas.

Como é de se imaginar, algumas coisas dão errado, colocando em risco o curso natural da história.

Uma vez já tendo provado seu valor e sempre disposto a ajudar, agora cabe a Elliot impedir que passado, presente e futuro sejam alterados de maneira catastrófica.

Já no inicio da sua jornada você acaba conhecendo Faie, uma fada misteriosa que apenas Elliot consegue ver e ouvir. Assim, torna-se o único capaz de fazer companhia à ela.

Embora a premissa inicial seja relativamente simples, a história se desenvolve muito bem, ficando cada vez mais recheada.

Aos poucos, é possível descobrir mais sobre o reino, o passado de personagens importantes, as tribos bestiais que habitam a região, o funcionamento da magia e os próprios mistérios envolvendo Elliot e Faie.

 

Exploração recompensadora e dungeons bem construídas

Uma das minhas partes favoritas em The Adventures of Elliot está em sua exploração. O jogo recompensa constantemente a curiosidade do jogador, seja por meio de equipamentos, melhorias, novas habilidades ou informações adicionais sobre o mundo.

As armas mais poderosas geralmente estão escondidas em ruínas opcionais. Novas magias exigem a exploração de templos específicos. Até mesmo os aumentos de Vida são obtidos através de exploração e descoberta de baús.

Outro recurso muito bem vindo é que, desde o início, o jogo informa quantos baús existem em cada dungeon, acalmando o coração de complecionista de plantão.

Além disso, as missões secundárias vão muito além de simples tarefas extras. Elas expandem significativamente o contexto do mundo e dos personagens, oferecendo recompensas úteis, especialmente acessórios que podem alterar estratégias de combate!

As cavernas e áreas opcionais variam bastante em complexidade, mas as principais dungeons apresentam puzzles, caminhos interligados e desafios que exigem certa atenção.

O visual HD-2D casou perfeitamente não somente com as batalhas, mas também com todo o fator de exploração dinâmica, já que Elliot também pode pular, planar e nadar pelos cenários.

Ao final das dungeons, chefes aguardam o jogador, normalmente exigindo mais do que simples ataques repetitivos para serem derrotados.

 

Combate versátil e cheio de possibilidades

O sistema de combate é um dos pontos mais fortes do jogo. Por meio das habilidades físicas do Elliot e mágicas de Faie, abrimos caminho para trazer as coisas de volta ao normal.

Para isso, Elliot possui oito tipos diferentes de armas: Espada, escudo, bumerangue, arco e flecha, bombas, lança, marreta e kusarigama.

Já Faie conta com cinco categorias de magias que podem ser desbloqueadas e aprimoradas ao longo da aventura.

Embora seja possível completar boa parte do jogo utilizando apenas suas armas favoritas, o design de certos chefes claramente incentiva a experimentação, tornam-se mais eficientes quando o jogador utiliza determinadas armas ou magias.

O jogo permite trocar equipamentos, acessórios e habilidades durante os confrontos, o que abre espaço para adaptações rápidas. Essa flexibilidade faz com que o combate permaneça interessante durante toda a campanha.

 

Co-op local: Elliot e Faie

O jogo também conta com um modo cooperativo local, no qual um segundo jogador pode assumir o controle de Faie.
Para quem prefere jogar sozinho, também é possível controlar a fada manualmente. Nesse modo, Elliot e Faie podem ser movimentados simultaneamente, permitindo ataques coordenados e combinações mais eficientes.

Apesar da proposta interessante, o controle simultâneo dos dois personagens tem limitações. É exigindo que Faie sempre esteja próxima de Elliot, ambos enquadrados na mesma câmera. Isso pode não ser tão confortável para todos os jogadores, especialmente durante os confrontos mais intensos.

 

Sistema de Magicites

Entre os sistemas de progressão está a fabricação de Magicites, cristais que oferecem modificadores para as armas de Elliot.

Esses aprimoramentos podem conceder bônus como: Dano adicional, maior taxa de acerto crítico, ampliação da área de ataque, alterações de velocidade, entre outros.

Os fragmentos necessários para criar Magicites são encontrados durante a exploração e podem ser entregues a um artesão responsável pela fabricação.

O sistema possui um componente aleatório, já que o jogador não escolhe diretamente o resultado obtido. Entretanto, conforme o nível de fabricação aumenta, novas opções de personalização são desbloqueadas, fazendo que você possa ao menos escolher a arma para qual o Magicite será criada.

Um mundo maior do que parece

Inicialmente, o mapa pode parecer relativamente compacto. No entanto, a mecânica de viagens temporais altera completamente essa percepção.
Embora diversas áreas sejam revisitadas ao longo da aventura, cada era apresenta mudanças significativas em caminhos, estruturas e acessos. Locais bloqueados em determinado período podem estar abertos em outro.


A campanha principal oferece uma boa quantidade de conteúdo. Como minha prioridade era trazer essa resenha hoje para vocês, eu tentei focar na história principal, sem ignorar missões secundárias e dungeons que despertassem minha curiosidade, finalizando tudo com quase 18 horas.

Porém vale ressaltar que o jogo conta com vários finais de acordo com o que você faz na sua jornada, aumentando ainda mais seu fator de rejogabilidade.

 

Considerações finais

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales surpreende ainda mais do que já era de se esperar por obras incríveis como foram OCTOPATH TRAVELER e BRAVELY DEFAULT, se destacando como uma das experiências mais encantadoras oferecidas pela Square Enix nos últimos tempos.

Seu sistema de exploração recompensa constantemente a curiosidade do jogador, os combates oferecem liberdade para experimentar diferentes estratégias e a narrativa cresce de maneira consistente conforme seus mistérios são revelados.

Existem alguns pontos que poderiam ser aprimorados. O controle simultâneo de Elliot e Faie durante o modo solo pode ser um pouco confuso em determinados momentos, e a ausência de legendas em português brasileiro certamente limitará o acesso de parte do público nacional.

Ainda assim, os acertos superam amplamente as limitações.

Se ainda existe alguma dúvida, a recomendação é simples: experimente a demo, você não vai se arrepender.