Análises / Artigos / Destaques / Kingdom Hearts · 6 de outubro de 2026

Kingdom Hearts Collection [I~III] é a porta de entrada (quase) perfeita para a série | Review

A franquia Kingdom Hearts nunca teve uma relação particularmente simples com seus jogadores. Famosa pelas suas continuações, prequelas, jogos lançados para portáteis, experiências mobile e diferentes versões dos mesmos títulos, acompanhar a história criada por Tetsuya Nomura frequentemente é considerado um feito por si só.

Enquanto a futura chegada de KINGDOM HEARTS IV começa a gerar bastante burburinho na internet, agora existe uma maneira consideravelmente mais simples de começar essa jornada. No próximo dia 08 de outubro chega ao mercado uma coletânea prometendo juntar (quase) tudo o que você precisa jogar para embarcar em Kingdom Hearts IV.

Tetsuya Nomura fez uma ilustração inédita para servir de capa para a nova coletânea

Kingdom Hearts Collection [I~III] reúne os principais capítulos da série em três pacotes e chega ao Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S . Para os jogadores da Nintendo, entretanto, existe um motivo especial para prestar atenção nesta versão: depois de estarem disponíveis no Switch apenas por meio de versões em nuvem, os jogos finalmente podem ser executados de forma nativa no console. Vale lembrar que no PC, a coletânea com esses títulos já existia sob o nome KINGDOM HEARTS INTEGRUM MASTERPIECE.

O que vem em Kingdom Hearts Collection [I~III]?

A coleção é dividida em três pacotes independentes, inclusive com Conquistas / Troféus próprios.

O primeiro é Kingdom Hearts HD 1.5 + 2.5 Remix, que reúne alguns dos principais jogos da primeira metade da saga. Estão incluídos Kingdom Hearts Final Mix, Kingdom Hearts Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II Final Mix e Kingdom Hearts Birth by Sleep Final Mix. Este pacote havia sido lançado originalmente para Playstation 3 em duas coletâneas separadas.

Também fazem parte do pacote Kingdom Hearts 358/2 Days e Kingdom Hearts Re:coded. Existe, porém, uma diferença importante: nenhum dos dois é apresentado como jogos completos. Ambos aparecem como compilações de cenas em alta definição. Originalmente lançados para Nintendo DS, os títulos não receberam uma versão jogável dentro da coleção.

O jogo roda de forma satisfatória e com loads rápidos inclusive na versão para Nintendo Switch 2

O segundo pacote é Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue, que funciona como uma ponte entre os acontecimentos dos primeiros jogos e Kingdom Hearts III. Ele inclui Kingdom Hearts Dream Drop Distance HD, Kingdom Hearts χ Back Cover e Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep – A Fragmentary Passage. Assim como no pacote anterior, nem tudo é jogável e aqui Kingdom Hearts χ na verdade é um filme em CG recontando a história do jogo de navegador de mesmo nome. Esta coletânea havia sido lançada originalmente para o Playstation 4 como um aquecimento para Kingdom Hearts III.

Por fim, temos Kingdom Hearts III + Re Mind, que traz o terceiro capítulo numerado da série acompanhado de sua expansão. Não sabemos por que a Square Enix decidiu abandonar o subtítulo, mas esta seria a versão “Final Mix” de Kingdom Hearts III, assim como foi feita para os outros jogos principais da série. Esta versão traz novo conteúdo de história, novos chefes, incluindo um secreto.

Em resumo é uma coleção bem parruda, com bastante coisa para se jogar, porém a ausência de alguns título de forma jogável como o Kingdom Hearts 358/2 Days acaba sendo sentida, principalmente se você tem curiosidade sobre a Organization XIII.

Em alguns (poucos) títulos você poderá apenas assistir as cenas refeitas em alta resolução, sem gameplay.

Outra ausência curiosa é Kingdom Hearts Melody of Memory, título lançado em 2020 que combina elementos de jogo rítmico com uma recapitulação da história da série mas que trás acontecimentos importantes para a continuidade da narrativa. Sua ausência não impede que o jogador compreenda a maior parte da trajetória até Kingdom Hearts III, mas enfraquece um pouco a proposta de uma coleção que pretende reunir a saga para quem deseja chegar preparado ao próximo capítulo.

Kingdom Hearts Melody of Memory continua a ser um dos jogos que nunca fez parte de nenhuma coletânea da série

Todos os Kingdom Hearts finalmente de forma nativa para os fãs da Nintendo

A versão que recebemos para testar foi justamente a de Nintendo Switch 2 e se existe um aspecto em que a coleção acerta em cheio, é trazer o jogo enfim de forma nativa para o novo console da Nintendo.

As versões anteriores de Kingdom Hearts para Switch ficaram marcadas pelo uso da famigerada Cloud Version. Em vez de rodar diretamente no console, os jogos eram transmitidos pela internet, solução que naturalmente trouxe críticas e problemas para parte dos jogadores. Esta versão inclusive, foi descontinuada em junho deste ano, o que aqueceu os rumores de que uma versão nativa estava chegando – o que realmente aconteceu.

As famigeradas Cloud Version chegaram em 2022 como uma forma de burlar o pequeno armazenamento interno do Nintendo Switch. Não é mais possível adquirir estas versões que serão desligadas em 2027.

No Switch 2, os três pacotes podem ser instalados diretamente no console e apresentam desempenho satisfatório. Durante os testes com Kingdom Hearts III, o título mais exigente tecnicamente entre os presentes na coleção, não foram observados problemas gráficos relevantes ou dificuldades relacionadas ao carregamento.

Nossa análise também não encontrou problemas de pop-in durante o jogo, tanto no modo portátil quanto no modo dock. É um resultado particularmente positivo para Kingdom Hearts III, que é o título mais recente e, consequentemente, aquele que melhor demonstra como o Switch 2 lida com a franquia. Os outros jogos são ainda mais leves e não dão trabalho ao console.

Mesmo Kingdom Hearts III, o mais pesado da coletânea, roda sem muitos compromissos no Nintendo Switch 2

Outro detalhe importante é o espaço ocupado pelos títulos: O pacote 1.5 + 2.5 exige aproximadamente 53,7 GB, enquanto 2.8 ocupa 27,5 GB e Kingdom Hearts III fica em torno de 46 GB. São aproximadamente 127 GB caso o jogador queira instalar toda a coleção simultaneamente. Felizmente, não é necessário fazer isso.

Apesar de serem vendidos como uma única coleção, os três pacotes podem ser baixados separadamente. Assim, quem quiser começar apenas pelo primeiro conjunto de jogos pode economizar uma quantidade considerável de espaço no armazenamento mais limitado do Switch 2.

O problema que mais incomoda: a ausência de português brasileiro

Existe, porém, uma questão muito mais difícil de ignorar: Kingdom Hearts Collection [I~III] não possui localização em português brasileiro. E isso é particularmente frustrante por ser uma baita oportunidade perdida.

A página de Kingdom Hearts IV na Steam já indica português brasileiro entre os idiomas disponíveis para a interface e as legendas. Se o próximo capítulo realmente chegar ao Brasil com localização oficial, seria natural esperar que uma coleção criada para preparar os jogadores para essa nova aventura oferecesse o mesmo tratamento aos títulos anteriores.

Que dia será que finalmente veremos Português do Brasil entre as opções de texto dona Square Enix?

A ausência é ainda mais sentida porque Kingdom Hearts está longe de ser uma franquia simples do ponto de vista narrativo. São diversos personagens, mundos, conceitos e acontecimentos distribuídos por diferentes jogos. Para quem já conhece a série, revisitar tudo em inglês não é necessariamente um problema. Para alguém entrando agora nesse universo, porém, uma localização oficial faria uma diferença enorme.

A coleção poderia ser justamente a porta de entrada definitiva para uma nova geração de jogadores brasileiros. Ver Kingdom Hearts IV preparado para receber português brasileiro enquanto uma coleção que reúne praticamente toda a trajetória anterior permanece sem tradução é uma oportunidade perdida.

Vale a pena para quem está começando?

Apesar de todas essas ressalvas, a resposta é simples: sim.

Se você nunca jogou Kingdom Hearts e quer entender por que existe tanta gente esperando por Kingdom Hearts IV, esta é provavelmente a maneira mais prática de começar. Os jogos estão organizados de uma forma que facilita seguir a ordem recomendada, e a coleção reúne praticamente todo o material necessário para acompanhar a história principal até Kingdom Hearts III.

Para quem joga no Switch 2, a situação é ainda melhor. Finalmente temos versões nativas da franquia no hardware da Nintendo, com desempenho satisfatório e sem a necessidade de recorrer às versões Cloud que marcaram a geração anterior. Para os mais exigentes que quiserem experimentar todos os jogos da série de maneira jogável ainda precisarão procurar outros caminhos para alguns títulos, especialmente os títulos de Nintendo DS, então nem tudo é perfeito.

Mas no fim, Kingdom Hearts Collection [I~III] cumpre sua principal função: reunir em um único lugar o melhor caminho para chegar a Kingdom Hearts IV que tem data de lançamento prevista para algum momento da segunda metade de 2027.

Caso queira ver a nossa análise em vídeo, ela foi feita pela Yu Kisaragi do canal @mooglescave: